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Contaminação do lençol aquífero na área do Jurubatuba/Santo Amaro - Área industrial é cercada por casas
Data: 17/4/2006

Apesar de os poços artesianos com água contaminada com solventes clorados tóxicos estarem instalados em uma área considerada industrial na região de Santo Amaro, há cerca de 600 metros do local existe um bairro exclusivamente residencial.

Na rua Eusébio Stevaux, onde foi identificado o problema pela empresa Gillette do Brasil, há vários prédios industriais. No final da rua, no entanto, a poucos metros da empresa há um edifício residencial que tem cerca de quatro anos. Segundo o porteiro do prédio, a água é fornecida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) e não por meio de poços artesianos.

O bolsão residencial Jardim Campo Grande, por exemplo, formado principalmente por casas de médio e alto padrão, fica bem atrás da região onde ficou comprovada a contaminação da água subterrânea.

A aposentada Teresa Kiss, 56, mora no bairro há cerca de 20 anos. Ela conta que, ao mudar-se para o local, ainda não havia distribuição de água pela Sabesp e, por isso, as casas dependiam exclusivamente da água de poços.

Conseguíamos água cavando poços de três, quatro metros de profundidade. Pedi uma análise para o Instituto Adolfo Lutz e a água era imprópria para consumo. Passei um bom período comprando água para abastecer a casa , diz a moradora.

Sua vizinha, a aposentada Nurimar Miliani Martins, 61, que mora no bairro há 30 anos, também dependeu de água de poço por aproximadamente quatro anos. Essa era a única alternativa para os moradores daqui , conta.

Nurimar disse ainda que, assim que a Sabesp disponibilizou a rede de água na região, aterrou o poço que existia em sua casa. Água de poço sempre foi muito duvidosa. Agora é mais ainda.

A confirmação da contaminação da água subterrânea na região surpreendeu as moradoras. Se a contaminação fosse apenas na água superficial a gente até ficaria mais tranqüila, mas, se atingiu poços artesianos, é porque é muito profundo e isso é preocupante , afirma Teresa.

Já o industrial Victor Pedote, 54, que mora no bolsão residencial há 27 anos, disse não estar preocupado com a contaminação da água subterrânea, apesar de morar praticamente ao lado da área em questão. Utilizo água da Sabesp há muito tempo e, por isso, não tenho motivo para me preocupar com a água de poço.

Laudo mostra alta concentração de poluente

FERNANDA BASSETTE, da Folha de S.Paulo

Os resultados do laudo da Cetesb (agência ambiental paulista) feito em sete poços artesianos instalados na região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, apontaram que a concentração de cloreto de vinila equivale a 47 vezes o limite permitido pelo Ministério da Saúde. O composto, utilizado na fabricação de plástico, é o mais tóxico de todos os encontrados.

Parte do aqüífero (reservatório de água subterrânea) da região, entre as pontes Interlagos e do Socorro, está contaminado com solventes clorados, substâncias utilizadas na fabricação de plástico e também para lustrar metais.

O problema foi descoberto depois que a Gillette do Brasil realizar um levantamento ambiental da área --que adquiriu da Duracell em 1996-- e identificou a contaminação do solo e da água.

Segundo o laudo da Cetesb obtido pela Folha, os principais solventes são cloreto de vinila, dicloroetano, dicloroeteno, tetracloroeteno e tricoloeteno, produtos tóxicos. A exposição prolongada a essas substâncias pode causar danos aos rins, fígado e sistema nervoso central, além de todos serem potencialmente cancerígenos.

Em uma das empresas com poços analisados, a concentração de cloreto de vinila equivale a 46,8 vezes o padrão permitido. A concentração que não traz risco à saúde é de até 5 microgramas por litro --a análise indicou 234 g/l.

O cloreto de vinila é o composto mais tóxico identificado. Está com padrões muito acima do permitido e isso indica que realmente há uma contaminação forte no local. Esse é um problema grave e a recomendação é que as pessoas que utilizam água de poço peçam uma análise química para saber de não há a presença desses contaminantes , diz Neusa Akemi Niwa Beserra, gerente do setor de química orgânica da Cetesb e responsável pelo laudo.

A concentração de tetracloroeteno na água dos poços também está muito além dos limites autorizados. Em um dos casos, o composto representava 19 vezes os padrões preconizados. O permitido é até 40 g/l --mas foram identificados 775 g/l.

Outro fator que chamou atenção de Neusa foi a alta concentração de CIS-1,2-dicloroeteno, composto que nem sequer tem limites de concentração na água definidos na legislação brasileira. A Cetesb utiliza os padrões da OMS (Organização Mundial da Saúde), que prevê 50 g/l. Em um dos poços, havia 3.334 g/l do composto, que é menos agressivo que o cloreto de vinila.

Ronald Pereira Magalhães, gerente da agência da Cetesb em Santo Amaro, diz que ainda não é possível saber a origem e a extensão da contaminação, que ele acredita estar concentrada no local. Isso não significa que o aqüífero todo esteja contaminado.

Segundo o médico toxicologista Eduardo Mello de Capitani, coordenador do Centro de Controle de Intoxicação da Unicamp, os efeitos dos solventes clorados no organismo dependem do tempo de exposição e da concentração que foi absorvida. São compostos facilmente absorvíveis. Se pessoas estão consumindo essa água, elas podem sofrer problemas a longo prazo , afirmou o médico.

Neusa confirma. Pior que beber é tomar banho diariamente com essa água. Os solventes penetram facilmente na pele , afirma.

Fonte das matérias – Folha de São Paulo


NOTA DO JMA: A CETESB, que, desde 1999, vem sistematicamente identificando as áreas contaminadas no Estado de São Paulo e determinando as ações corretivas. Enquanto isto, na maior parte do Brasil, os órgãos ambientais ainda não estão desenvolvendo o mapeamento das áreas contaminadas e das áreas de riscos.

É um programa a ser considerado e adotado por todos os Órgãos Ambientais, em defesa da saúde pública e do meio ambiente. Somente assim a sociedade seria protegida do lento e silencioso envenenamento causado por atividades potencialmente poluentes e irresponsavelmente administradas.

O arquivo com a relação, em ordem alfabética, das áreas contaminadas no Estado de São Paulo, atualizada até maio/2005, pode ser encontrada em http://www.cetesb.sp.gov.br/Solo/relatorios/areas_cont_alfab_mai_05.zip. A página com as informações do inventário de áreas contaminadas está em http://www.cetesb.sp.gov.br/Solo/areas_contaminadas/relacao_areas.asp


Cabe à sociedade rejeitar veementemente aqueles que buscam o lucro fácil, mesmo que ao custo do nosso envenenamento.

Henrique Cortez, subeditor do Jornal do Meio Ambiente, henriquecortez@jornaldomeioambiente.com.br

FONTES: FOLHA DE SÃO PAULO / JORNAL DO MEIO AMBIENTE

 

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