História do bairro
Um bairro planejado entre duas represas
Interlagos nasceu em 1920 como um balneário planejado entre a Guarapiranga e a Billings. Ruas curvas, lotes amplos, o Autódromo e uma mata que ainda produz água para São Paulo.
- 27 ago
Aniversário do bairro, fundado em 1920
- ~1.500
imóveis e cerca de 4.000 moradores no Bolsão
- 2004
Tombamento ambiental pelo CONPRESP (Res. 18/2004)
- ZERa
Zona Exclusivamente Residencial Ambiental, dentro da APRM Guarapiranga
Um balneário entre dois lagos
O engenheiro britânico Louis Romero Sanson, dono da construtora Auto-Estradas S.A. (a mesma que abriria a avenida Washington Luís e o aeroporto de Congonhas), adquire terras entre as represas Guarapiranga e Billings para erguer um bairro-balneário de luxo, o “Balneário Satélite da Capital”.
Para desenhá-lo, chama o urbanista francês Alfred Agache, autor do plano de remodelação do Rio de Janeiro. A paisagem lembra a Agache a cidade suíça de Interlaken, “entre lagos”: nasce o nome Interlagos. A data de fundação, 27 de agosto de 1920, é hoje o aniversário oficial do bairro.
O projeto para, a pista nasce
O plano previa lotes residenciais, hotel, estádio, um lago para iatismo e uma praia de mais de 1 km com areia trazida de Santos. A quebra da bolsa de 1929 e a Revolução de 1932 interrompem as obras; o resort nunca se completa, mas o loteamento residencial segue.
Em 1936, um acidente na primeira prova internacional disputada nas ruas de São Paulo, com seis mortos, convence o Automóvel Clube do Brasil de que a cidade precisa de um autódromo. Sanson retoma o projeto da pista, com traçado inspirado em Indianápolis, Brooklands e Montlhéry.
Inauguração do Autódromo
Após primeiras voltas de teste em abril de 1939, lideradas por Manoel de Teffé, o Autódromo de Interlagos abre em 12 de maio de 1940 com o Grande Prêmio Cidade de São Paulo, vencido por Arthur Nascimento Júnior à frente de Chico Landi. Cerca de 15 mil pessoas assistem; a pista tem 7.960 m e ainda não tem boxes.
Com a estrada e a ponte de madeira sobre o Jurubatuba abertas, Sanson inaugura também o Hotel Interlagos e um grande estacionamento. Em 1949 o Autódromo é incorporado pela Prefeitura; em 1985 recebe o nome do piloto José Carlos Pace.
Santa Paula Iate Clube
A estrutura inacabada do Grande Hotel Interlagos é comprada em 1960 pela Santapaula Melhoramentos e transformada em iate clube pelos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi. A Garagem de Barcos (1961–64), à beira da represa, torna-se um marco do brutalismo paulista.
No auge, o clube chegava a receber 17 mil associados num domingo de sol. Fechado em 1988, foi tombado pelo CONPRESP (Res. 07/2001) e pelo CONDEPHAAT (2016) e segue abandonado, tema do vídeo “O maior Iate Clube da América Latina”, produzido pela SBI.
Nasce a SBI
Moradores fundam a Associação Benfeitores de Interlagos para representar o bairro junto ao poder público. A entidade lidera o projeto do Bolsão Residencial, com o levantamento da adesão dos moradores e a aprovação do bloqueio de ruas que preserva o caráter residencial da área.
As Restrições de Loteamento originais, que permitem apenas residências unifamiliares, passam a ser defendidas ativamente pela associação, inclusive em Ação Civil Pública contra intervenções irregulares no Laguinho.
Interlagos entra no calendário da Fórmula 1
O primeiro Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 é disputado em Interlagos em 1972, ainda como prova extracampeonato, e passa a valer pontos no ano seguinte. Emerson Fittipaldi vence em casa em 1973 e 1974; José Carlos Pace, em 1975.
O bairro convive desde então com o maior evento esportivo da cidade. A relação entre o sossego residencial e a agenda do Autódromo, hoje ampliada por shows e corridas noturnas, é um dos temas permanentes da SBI.
Tombamento ambiental e ZERa
Pela Resolução 18/2004, o CONPRESP tomba o Bairro de Interlagos como bairro ambiental, ao lado dos Jardins, Pacaembu e City Lapa: uso residencial, casas soltas no lote, traçado curvo das vias e arborização abundante passam a ser protegidos.
O zoneamento classifica todo o Bolsão como ZERa, Zona Exclusivamente Residencial Ambiental, dentro da Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Guarapiranga (Decreto Estadual 51.686/2007). O solo permeável e a mata seguem produzindo água para a cidade.
O Autódromo como patrimônio
A SBI reativa o processo de tombamento do Autódromo, adormecido no CONPRESP, propondo que ele seja protegido como parte do mesmo conjunto histórico e ambiental do bairro: a área da pista é quase do tamanho do Ibirapuera e permanece em grande parte permeável.
A Confederação Brasileira de Automobilismo e a Federação Paulista de Automobilismo declaram apoio à proposta. Para custear o advogado da causa, o bairro abre a campanha de arrecadação de R$ 60 mil.
Um bairro com data de aniversário
Por solicitação da SBI, 27 de agosto passa a ser celebrado oficialmente como aniversário de Interlagos; em 2025 o bairro completou 105 anos. O trabalho segue nas frentes de fiscalização, sossego e preservação do Laguinho, da represa e do conjunto tombado.
Acompanhe as ações atuais
Fontes: Subprefeitura Capela do Socorro; Autódromo de Interlagos (Prefeitura de São Paulo); Paulo Scali, Autódromo de Interlagos 1940–1980; Resolução 18/CONPRESP/2004; São Paulo Antiga; ArchDaily; sbinterlagos.org.br.
Tem fotos ou documentos antigos de Interlagos?
A SBI está montando o acervo de memória do bairro. Envie o que tiver, mesmo sem data exata.